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sábado, 4 de novembro de 2017

Parque Lago Azul

Parque Lago Azul: um dos poucos parques municipais da porção meridional de Curitiba

Situado entre os bairros Umbará e Ganchinho, porção sul do município de Curitiba, a região apresenta significativa cobertura vegetal de porte arbóreo, sendo o Parque Lago Azul e seu entorno, uma área relevante de Floresta Ombrófila Mista.
O Parque Lago Azul foi inaugurado como parque municipal em dezembro de 2008, uma vez que tratava-se de uma área particular pertencente à família Segalla. Por muito tempo a área foi frequentada por um público variado de Curitiba e região e era considerada a “praia curitibana”, dado o imenso público de banhistas e pescadores que frequentavam o local nos finais de semana. Até meados da década de 1990, a qualidade da água era satisfatória e configurava uma importante área de lazer da cidade. Com o adensamento populacional à montante do Ribeirão Ponta Grossa, curso fluvial que alimenta o lago, a qualidade da água reduziu-se de forma impactante em virtude da carência e/ou ausência de infraestrutura de saneamento ambiental junto à esta ocupação. Atualmente, o banho não é mais possível em virtude da péssima qualidade da água e a pesca não é recomendada.
A situação ambiental observada no Parque Lago Azul é uma das inúmeras contradições ambientais da cidade de Curitiba, cidade considerada nos anos de 1990 como modelo de urbanismo e cuidado ambiental para outras cidades do Brasil e do mundo. Pessoalmente, tive a oportunidade de aproveitar ao longo da minha infância a boa qualidade ambiental que a área apresentava. Tempo de generosas pescarias de lambaris de rabo vermelho, traíras, carás e bagres, além da riquíssima diversidade de aves e mamíferos aquáticos, como o famoso ratão do banhado. Ainda ecoa na minha memória o gostoso coachar dos sapos que outrora dominavam a área e preenchiam as noites chuvosas.
Seguem abaixo algumas fotografias de minha autoria produzidas a partir da margem direita do Ribeirão Ponta Grossa denunciando a péssima qualidade ambiental da água e algumas fotografias disponibilizadas pela Prefeitura Municipal de Curitiba durante a construção da infraestrutura do parque.

Vegetação de várzea

Margem direita do lago do parque, acima e abaixo









Formação de espuma sobre a lâmina d'água resultado do lançamento in natura de esgoto doméstico, acima e abaixo

















Fotografias cedidas pela Prefeitura Municipal de Curitiba, acima e abaixo









Imagem aérea panorâmica tirada em meados dos anos 2000, antes da municipalização da área (autor desconhecido)

Curitiba, 04 de novembro de 2017.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Especialização em Análise Ambiental pela UFPR: Visita Técnica à Paisagem Urbana de Curitiba e Região Metropolitana


Análise da Dinâmica do Espaço Urbano de Curitiba e RMC
Dando continuidade no processo de construção da memória pedagógica ao longo da minha vida acadêmica, apresento neste momento algumas imagens produzidas em uma visita técnica que realizamos em meados de 2006, sob a orientação da Profa. Olga Firkowski, durante o Curso de Especialização em Análise Ambiental da UFPR. O objetivo desta visita foi a análise do espaço urbano de Curitiba e Região Metropolitana (RMC), na perspectiva de identificar e analisar os atores que produzem o espaço urbano, seus processos e derivações sociais e ambientais sobre o tecido urbano.
O roteiro considerou diversas paradas estratégicas no intuito de observarmos a paisagem urbana e seus atores nos mais diferentes lugares da cidade. Partimos do Centro Politécnico da UFPR em direção ao centro de Curitiba, passando pela Vila Torres, uma ocupação irregular antiga da cidade em vias de regularização e urbanização. Parte da população residente da Vila Torres sobrevive a partir da coleta de resíduos sólidos que são descartados na região central da cidade, dada a proximidade da ocupação em relação ao centro. Em seguida, realizamos a primeira parada no Largo da Ordem, Centro Histórico de Curitiba, a fim de analisarmos a gênese histórica da cidade.
Na sequência, realizamos uma parada no eixo estrutural da Rua Padre Anchieta no bairro Bigorrilho. Nesta região analisamos o canyon urbano que se formou ao longo deste eixo se considerarmos o “túnel de poluição” que se forma nos períodos de longa estabilidade atmosférica com forte acúmulo de poluentes. Esta situação de contradição ambiental também se observa em outros eixos estruturais da cidade, como é o caso da Avenida 7 de Setembro no bairro Batel e Avenida República Argentina no bairro Água Verde.
Em seguida, partimos em direção à mais nova ocupação de alto poder aquisitivo da cidade: o famoso Ecoville. Esta região de ocupação nobre envolve alguns bairros outrora conhecidos apenas por uma ocupação mais popular como Campo Comprido, Mossunguê e parte da CIC. A região apresenta diversas torres residenciais e de escritórios de elevada altura e requinte social, denunciando o público “seleto” que vive na região, constituindo o cartão postal da cidade no âmbito do seu citymarketing. A palavra “seleto” refere-se também às pessoas invisíveis que vivem na região que devido ao seu baixo poder aquisitivo e por habitarem locais vulneráveis ambientalmente, acabam por não serem notadas na paisagem humana, como é o caso das pessoas que moram dentro da calha do Rio Barigui que drena a região.
Após a visita desta região nobre de Curitiba, partimos para o município de Araucária na intenção de visitarmos o Memorial Polonês que conserva parte da identidade dos povos que colonizaram Curitiba e Região Metropolitana. O Memorial situa-se próximo da Avenida das Araucárias e está inserido nos limites da Área de Proteção Ambiental do Passaúna, região de manancial que abastece parte de Curitiba e região.
Em seguida, partimos para outro extremo da região, porção leste da Região Metropolitana, na intenção de visitarmos o bairro Guarituba em Piraquara, antiga ocupação irregular em processo de regularização e urbanização. Ainda nesta região, aproveitamos para visitar um dos condomínios mais luxuosos do Paraná: o Alphaville Graciosa. A região apresenta as mais nítidas contradições urbanas: de um lado o luxo extremo e do outro a pobreza crônica.

Profa. Olga Firkowski no Centro Histórico de Curitiba


Igreja de Nossa Senhora do Rosário de São Benedito, também conhecida como Igreja dos Pretos

Rua Padre Anchieta, Bairro Bigorrilho

Rua Padre Anchieta, Bairro Bigorrilho: canyon urbano ou túnel de poluição - acima e abaixo



Dizeres para pensarmos...

Prédio de Lofts, forte tendência das cidades: apartamentos com um único quarto

Infraestrutura urbana construída antes da população do Ecoville passar à residir

Prédio giratório acima e torres de elevada altura e requinte abaixo






População "invisível" morando na calha do Rio Barigui, acima e abaixo




Rio Barigui, divisa de Curitiba com Araucária

Portal Polônico, Araucária

Detalhes dos lambrequins








Profa. Olga Firkowski

Guarituba em Piraquara, acima e abaixo, denúncia de pobreza e negligência do Poder Público com a infraestrutura de saneamento ambiental




Alphaville Graciosa, um dos condomínios mais luxuosos do Paraná


Curitiba, 03 de novembro de 2017.