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sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Especialização em Análise Ambiental pela UFPR: Visita Técnica à Paisagem Urbana de Curitiba e Região Metropolitana


Análise da Dinâmica do Espaço Urbano de Curitiba e RMC
Dando continuidade no processo de construção da memória pedagógica ao longo da minha vida acadêmica, apresento neste momento algumas imagens produzidas em uma visita técnica que realizamos em meados de 2006, sob a orientação da Profa. Olga Firkowski, durante o Curso de Especialização em Análise Ambiental da UFPR. O objetivo desta visita foi a análise do espaço urbano de Curitiba e Região Metropolitana (RMC), na perspectiva de identificar e analisar os atores que produzem o espaço urbano, seus processos e derivações sociais e ambientais sobre o tecido urbano.
O roteiro considerou diversas paradas estratégicas no intuito de observarmos a paisagem urbana e seus atores nos mais diferentes lugares da cidade. Partimos do Centro Politécnico da UFPR em direção ao centro de Curitiba, passando pela Vila Torres, uma ocupação irregular antiga da cidade em vias de regularização e urbanização. Parte da população residente da Vila Torres sobrevive a partir da coleta de resíduos sólidos que são descartados na região central da cidade, dada a proximidade da ocupação em relação ao centro. Em seguida, realizamos a primeira parada no Largo da Ordem, Centro Histórico de Curitiba, a fim de analisarmos a gênese histórica da cidade.
Na sequência, realizamos uma parada no eixo estrutural da Rua Padre Anchieta no bairro Bigorrilho. Nesta região analisamos o canyon urbano que se formou ao longo deste eixo se considerarmos o “túnel de poluição” que se forma nos períodos de longa estabilidade atmosférica com forte acúmulo de poluentes. Esta situação de contradição ambiental também se observa em outros eixos estruturais da cidade, como é o caso da Avenida 7 de Setembro no bairro Batel e Avenida República Argentina no bairro Água Verde.
Em seguida, partimos em direção à mais nova ocupação de alto poder aquisitivo da cidade: o famoso Ecoville. Esta região de ocupação nobre envolve alguns bairros outrora conhecidos apenas por uma ocupação mais popular como Campo Comprido, Mossunguê e parte da CIC. A região apresenta diversas torres residenciais e de escritórios de elevada altura e requinte social, denunciando o público “seleto” que vive na região, constituindo o cartão postal da cidade no âmbito do seu citymarketing. A palavra “seleto” refere-se também às pessoas invisíveis que vivem na região que devido ao seu baixo poder aquisitivo e por habitarem locais vulneráveis ambientalmente, acabam por não serem notadas na paisagem humana, como é o caso das pessoas que moram dentro da calha do Rio Barigui que drena a região.
Após a visita desta região nobre de Curitiba, partimos para o município de Araucária na intenção de visitarmos o Memorial Polonês que conserva parte da identidade dos povos que colonizaram Curitiba e Região Metropolitana. O Memorial situa-se próximo da Avenida das Araucárias e está inserido nos limites da Área de Proteção Ambiental do Passaúna, região de manancial que abastece parte de Curitiba e região.
Em seguida, partimos para outro extremo da região, porção leste da Região Metropolitana, na intenção de visitarmos o bairro Guarituba em Piraquara, antiga ocupação irregular em processo de regularização e urbanização. Ainda nesta região, aproveitamos para visitar um dos condomínios mais luxuosos do Paraná: o Alphaville Graciosa. A região apresenta as mais nítidas contradições urbanas: de um lado o luxo extremo e do outro a pobreza crônica.

Profa. Olga Firkowski no Centro Histórico de Curitiba


Igreja de Nossa Senhora do Rosário de São Benedito, também conhecida como Igreja dos Pretos

Rua Padre Anchieta, Bairro Bigorrilho

Rua Padre Anchieta, Bairro Bigorrilho: canyon urbano ou túnel de poluição - acima e abaixo



Dizeres para pensarmos...

Prédio de Lofts, forte tendência das cidades: apartamentos com um único quarto

Infraestrutura urbana construída antes da população do Ecoville passar à residir

Prédio giratório acima e torres de elevada altura e requinte abaixo






População "invisível" morando na calha do Rio Barigui, acima e abaixo




Rio Barigui, divisa de Curitiba com Araucária

Portal Polônico, Araucária

Detalhes dos lambrequins








Profa. Olga Firkowski

Guarituba em Piraquara, acima e abaixo, denúncia de pobreza e negligência do Poder Público com a infraestrutura de saneamento ambiental




Alphaville Graciosa, um dos condomínios mais luxuosos do Paraná


Curitiba, 03 de novembro de 2017.


quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Especialização em Análise Ambiental pela UFPR: Visita Técnica ao Litoral do Paraná


Visita Técnica ao Litoral do Estado do Paraná: análise de problemáticas ambientais

        Dando continuidade no trabalho de divulgar momentos da vida acadêmica com o objetivo de construir uma memória pedagógica, tecerei aqui sobre a visita técnica realizada em 20 de outubro de 2006, no âmbito do Curso de Especialização em Análise Ambiental pela UFPR. Participaram desta visita diversos professores com destaque para o Prof. Everton Passos, profundo conhecedor da geomorfologia paranaense. 
O roteiro da visita partiu do Centro Politécnico da UFPR e seguiu em direção à Estrada da Graciosa, primeira estrada paranaense inaugurada no final do século XIX e importante via turística do Estado do Paraná. Ao longo da Estrada da Graciosa foram realizadas algumas paradas com o objetivo de avaliar os aspectos geológico-geomorfológicos da Serra do Mar e sua interface entre o Primeiro Planalto e a Planície Litorânea. Também analisou-se os aspectos da vegetação e seus estratos altitudinais e o ecótono entre a Floresta Ombrófila Mista e a Floresta Ombrófila Densa. Sobre a vegetação, destacou-se a função que esta cobertura exerce na proteção das vertentes, dada a proteção oferecida pelo dossel das copas contra o impacto das gotas da chuva, a proteção oferecida pela serrapilheira na absorção do excesso da água de superfície e o efeito protetivo do sistema radicular que ancora e fixa os frágeis solos da Serra do Mar. 
No Recanto Mãe Catira aproveitou-se as margens do Rio São João para analisarmos os aspectos da geomorfologia fluvial no processo de degradação (erosão), transporte e agradação (sedimentação), com destaque para os processos fluviais (suspensão, saltação, rolamento e solução).
Em seguida, partiu-se para o município de Antonina e Morretes para degustarmos a rica culinária do litoral do Estado e apreciar a cidade de Morretes, que em minha opinião, trata-se de uma das cidades mais charmosas do Paraná.
O retorno para Curitiba se deu via BR-277, onde aproveitamos para analisar as problemáticas ambientais que envolvem esta rodovia e seu entorno, salientando a vulnerabilidade estabelecida pela inclinação das vertentes diante dos episódios críticos de precipitação, eventos muito comuns na Serra do Mar dada a ocorrência de chuvas orográficas.
Por fim, gostaria de deixar aqui o registro do profundo conhecimento do Prof. Everton Passos em Geomorfologia, conhecimento que eu e o amigo Valdir Volochen tivemos a oportunidade de explorar no primeiro semestre de 2011, quando realizamos a disciplina isolada de Geomorfologia Ambiental no âmbito do Programa de Mestrado em Geografia da UFPR.

Curitiba, 11 de outubro de 2017.

Elevado grau de epifitismo

Epifitismo sobre Araucária plantada

Bromélia

Condensação de umidade a aproximadamente 1.200 m.s.n.m., condição para chuvas orográficas

Embaúba, muito comum em áreas que sofreram degradação



Rio São João e sua geomorfologia fluvial

Recanto Mãe Catira


Final da Estrada da Graciosa

Guapuruvu, muito comum na Planície Litorânea

Rio São João reduzindo seu potencial erosivo à medida que avança na Planície Litorânea

Baía de Antonina

 


Painel informativo sobre a gênese da Serra do Mar em Morretes e detalhes (abaixo)







Rio Nhundiaquara em Morretes

Bromélia florida às margens do Rio Nhundiaquara

Aspectos florísticos e dinâmica das vertentes (abaixo) ao longo da BR-277





Material resultante de movimento de massa 



Muro de contenção de encosta atirantado

Obras de recuperação de talude movimentado às margens da BR-277 



Grande abraço!
Prof. Fernando Bonato

"Evidentemente, para os que não têm consciência do significado das heranças paisagísticas e ecológicas, os esforços dos cientistas que pretendem responsabilizar todos e cada um pela boa conservação e pelo uso racional da paisagem e dos recursos da natureza somente podem ser tomados como motivo de irritação, quando não de ameaça, a curto prazo, à economicidade das forças de produção econômica."

Aziz Ab' Sáber